segunda-feira, 16 de maio de 2011

Acertaram no target: Gente Diferenciada

Amo gente diferenciada.

Nem precisa ser no sentido novo que a expressão ganhou, que é de pobre.

Chega a ser engraçado: pobre que é diferenciado.

A gente passou anos achando que era o contrário.

E tudo mudou mesmo, inverteu.

Antes todo mundo só queria saber do AB.

Não tinha nenhum produto ou serviço que não constasse em sua apresentação: Classe AB.

Com o constante uso, o esvaziamento do termo e alguns fatores macroambientais, o C entrou com um conceito, digamos, "diferenciado".

Diferenciado não é mais do que o não igual.

E já falei, não gosto de gente igual.

Que faz do mesmo jeito, que segue a regra ao pé-da-letra, que não quebra o protocolo.

Que repete e se repete.

Gente que "agrega o mesmíssimo valor" há 20 anos, que só vê beleza no que foi imposto e segue a excursão, o curso.

Gente diferenciada é outra história: tem brilho nos olhos, brilho próprio, inventa, cria, se vira.

Gente diferenciada faz rir. E chorar. Não é de plástico e isso é muito plástico, sim! Independe de modas e valores estéticos. Vai mais fundo, mora é na alma.

Mas para viver e ter gente assim por perto tem que se virar também: sair de casa, do escritório, de frente da tv, da sua classe social, do ciclo de amigos, da Zona Sul, do carro.

E quem sabe até...pegar um metrô.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O desfecho final.

Não havia veados para abater nem macacos para arremessar bananas.

Insultos ali nitidamente não faziam efeitos.

No centro da arena um time de fortes, jovens, bem-sucedidos.

Homens brancos unidos e patrocinados pelo poder da indústria paulista.

A cada comemoração uma demonstração de força e domínio.

Em volta, 17 mil torcedores que não sabiam bem como se assiste a uma partida de vôlei.

Estavam ali.

Sem nada a ver.

E sem ninguém para humilhar,

voltaram para casa humilhados.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O que mudou e o que continua. (Falando profissionalmente)

Escrevi este texto, há alguns dias, sem um objetivo específico. Fiquei pensando, pedi algumas opiniões. Resolvi postar aqui.

O que mudou e o que continua.

Todos estamos ou deveríamos estar questionando sobre a quantidade, o tamanho e a velocidade das mudanças em nosso mercado.

Um movimento presente e evidente que vem passando como tsunamis sobre nossos olhos e arrastando convicções a cada instante.

Parece que quem, como nós da Agência (DEZ), entrou no mercado na década de 90, já passou por todo o tipo de crise, onda de crescimento, guerras, ameaças,

boas oportunidades, fenômenos macroeconômicos imprevisíveis. Tudo em um espaço de tempo relativamente curto para tanto movimento.

Mas qual a real mudança nesta relação de troca que é o consumo de bens e serviços?

O que está igual e o que está diferente?

O que não mudou é o sentimento de adquirir algo e querer em troca a recompensa deste esforço, seja material ou emocional.

Quero comprar isso e receber isso. Se receber mais que isso, melhor ainda.

A quebra desta equação continua causando um tremendo dissabor.

Um pacto que se desfaz, uma guerra, um tsunami de maus sentimentos.

Isso ainda é o mesmo. Desde mil novecentos e alguma coisa ou até antes, como muitas marcas gostam de estampar em suas assinaturas.

O que mudou mesmo foi o efeito e o tamanho desta onda.

Hoje a comunicação não é, de fato, unilateral.

Comunicação é diálogo com o consumidor, com um grupo deles, com o mercado.

E, cada vez mais, em uma proporção que nenhuma barreira pode suportar.

O consumo frequente, fiel, com consciência, que todos queremos conquistar não se dá mais apenas pela beleza, inovação ou impacto de uma campanha publicitária.

Esta tem a função de atrair a sua atenção para aquela marca.

Após isso e o êxito de uma experiência de consumo é que se dá o verdadeiro jogo da verdade.

A vida real entra em cena.

Experimento, gosto, não gosto, sugiro mudança, devolvo, publico, dialogo.

Hoje não adianta mais apenas pagar para dizer que é bom.

Produtos, pessoas, serviços, instituições só convencem se forem realmente capazes de provar que cumprem o que prometem.

Não estou questionando se a comunicação de massa continua importantíssima, é inegável, mas é apenas um início.

Tudo comunica e isso é maravilhoso.

O que vale é a experiência ou as experiências.

Hoje o produto não é um deus distante e intocável, como já foi.

É algo que qualquer pessoa pode questionar.

É postar em uma rede social uma mensagem que logo vem a resposta, uma justificativa ou uma desculpa, que seja.

Assim como você pode dialogar com o seu ídolo pela internet e até se sentir, ou ser de fato, íntimo dele.

Algo que só acontecia em sonhos na nossa infância. E era horrível acordar porque bom mesmo é fazer a troca ser real. Possibilidade que vivemos agora.

É, também, emocionante ser exposto a ações como ver a minha marca de roupas preferida estampando um programa de regeneração da vegetação litorânea.

Esta ação faz parte de uma comunicação que me veste por inteiro e prova que a minha escolha é certa. Perfeita para os meus valores.

Eu, cada um de nós e nossos valores estamos no poder.

Fico feliz de responsáveis pelo marketing das empresas buscarem constantemente o que está sendo falado sobre elas na internet, via redes sociais.

É sinal que paramos, ao menos um pouco, de falar das nossas forças, das fraquezas dos concorrentes e o mais importante: paramos para escutar.

E escutando vamos melhorar nossos produtos, serviços e nós mesmos a cada dia.

Acreditem, o processo de comunicação, em sua forma integral, é um grande instrumento de melhoria humana.



Ahmed Calais Hamdan é Publicitário, Sócio e Diretor de Criação da Agência DEZ, desde 1995.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Geri em Jeri.



Fotinha de viagem que virou anúncio.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Exagere com Moderação.

Acho que consegui resumir tudo.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Fluir fixo



Acho que o fluir destes balões se fixou na minha cabeça.

Foto, texto e letra: Ahmed Hamdan

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sede

Li logo abaixo, em um texto meu que:

Água não espera: vira sede.

Achei que vale a pena destacar e dizer que:

É ISSO!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Agora eu

Sou redator no sentido mais cru da palavra.

Redijo, gosto do texto, das letras, do conteúdo.

Isso é o que me toca profundamente.

As palavras têm enorme importância na vida das pessoas, pode acreditar. Isso não é um truque de redator.

A palavra não mente, ela diz. A palavra pode até tentar, mas não engana.

A palavra tem palavra.

A palavra cumpre.

A palavra que não cumpre chama-se erro.

O erro tem conserto, mas para consertar tem que ter palavra.

Desde muito cedo a minha atenção está voltada para a construção de conteúdos.

E sei que aprendi visualizando palavras ao longo da palavra tempo.

Claro que descobrir isso demandou uma educação embasada e formalizada, quase 20 anos de experiência profissional e 10 de psicanálise.

Esclarecer e definir não são palavras fáceis de se encontrar.

Quando a palavra se chama competição, ela atende pelo nome de voleibol. E por meio deste nome, aprendi durante anos de treinamento diário os significados das palavras coletivo, liderança e decisão. Aprendi a ser fundamental no momento decisivo, mas aprendi também que sozinho nada acontecia.

Talvez daí tenha vindo a palavra estratégia na minha vida, já que, como levantador, sempre fui o estrategista do jogo.

Algumas das palavras que criei profissionalmente estão traduzidas e registradas em trabalhos que desenvolvi.

Outras estão soltas por aí: foram jogadas ao vento.

E o resultado do que foi semeado é a compreensão do lugar que eu ocupo e do que sou diante da palavra mais importante de todas, nomeada de agora.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Moscou, 2010.

A 1ª imagem que me lembro de ter visto em Moscou foi a de um adolescente no metrô voltando para casa com o seu material de hóquei sobre patins, com todo o orgulho que um atleta tem deste tipo de acessório.

O metrô da cidade é uma cidade submersa com milhões de transeuntes e destinos todos e variados. Só perde em tamanho para o de Tóquio. A língua do metrô, falada e escrita, é o russo. Monolíngue e só.

As pessoas são muitas e de aparência igual: rostos redondos e portes gigantes, olhos grandes e azuis. Louros e magros. Não bonitos. Nem feios. É muita gente num lugar só. É muita gente parecida num lugar só. Tem gente que acha orientais parecidos fisicamente. Eu nunca achei. Agora acho isso dos russos.

Um país só. Uma língua só. A tal cortina de ferro mais os separou do mundo que o mundo deles.

Estações lindas fechadas em art-déco e lustres antigos iluminando, balançando levemente com o vento frio que vem de fora e puxando os poucos olhares que não têm tanta pressa.

E pressa é a lei da cidade que é a São Paulo deles. Sem tirar nem por.

São Paulo em russo, inclusive no nome das estações com aquele alfabeto que para nós não faz o menor sentido.

Depois de algum tempo percebi que o som tem algo de familiar e pode nos ajudar em alguma orientação.

Já na superfície um micro-ônibus no estilo boliviano aguardava passageiros. 333: estava na lista de possibilidades. Lá dentro, só russo. Fala, direção. Um milagre para encontrar um hotel que, na reserva tinha um nome, e na sua fachada, em letras não familiares, parecia um outro lugar.

A música, as pessoas, o motorista, o ônibus velho: faixas de fita crepe no vidro para tapar o sol. Tudo fazia parte da viagem, era o que se buscava.
O medo de não se achar também.
Ver um monumento gigante com um homem de bronze segurando um martelo e uma mulher ao lado segurando a foice. Força, imponência que me atraem os olhos e os fazem brilhar. É a União Soviética velha de Guerra! Autêntica, forte, olímpica, pesada, cinza. Bela e bélica.

Um trânsito absurdo, carros potentes misturados a Ladas que são fuscas. Sem buzinas. Aquilo ali é o que tem para todo dia em uma cidade de 10,5 milhões de habitantes. Fumaça alimentando o amargor que agora tenho na ponta da língua. É, eu tenho um amargor na ponta da língua. Pode até ser que sempre tive, mas hoje ele se manifesta com a presença de fumaça, inclusive a de Moscou, que nao é pouca.

Lenins, estrelas em grandes monumentos apareciam. E estes eram esnobados, no mesmo espaço onde estavam fincados, por feiras, mercados ou qualquer algo que se pareça com estes novos camelódromos presentes em centros urbanos. Vende-se tudo, a alma se vende e é na cara do Lenin, debaixo de seus ombros.

Qualquer porta que se entra sob um grande monumento, o mundo se abre para um grande mercado de comidas, bugigangas, eletrônicos e o diabo a quatro do consumo invadindo todos os sentimentos.

A verdade é que Moscou virou uma grande feira.

A beleza conservada da Praça Vermelha e sua Catedral de Sto. Ignácio está lá para sugar boquiabertos. Um gosto quase duvidoso com efeito paralizante. Os Museus do Kremlin prenden lindas catedrais ortodoxas brancas com cúpulas em forma de gotas douradas, estas de uma beleza inquestionável. E outras delas vão surgindo entre a cidade gigante, de gigantes. E são impressionantemente muitos, o tempo todo.

Eles carregam uma estética estranha aos ocidentais. Parecem que ainda estão uniformizados, mas querem se soltar. Jovens são os primeiros a exigirem calças muito apertadas e/ou caindo como as nossas, cabelos estilosos, tênis universais.
Um quarteirão só com grandes marcas passeia pela cidade. O diabo do consumo veste Prada também em Moscou.
Vi a cidade do alto de uma roda gigante, mas longe do centro. Acho que o mundo Kremlin não gosta muito se ser visto de cima, gosta é de olhar de cima.
Tudo passa depressa. Carros, metrô. pessoas te empurram, te atropelam. Há os que têm intolerância a estrangeiros, a turistas, a este novo mundo que eles vivem nas últimas 2 décadas.

Penso em uma conversa imaginária, sobre a Rússia, entre uma pessoa da época dos czares, uma da época do socialismo e uma do pós-socialismo capitalista. Falando de um mesmo país sobre o que uma época deixou para a outra além de igrejas, palácios e monumentos. O que está implantado no coletivo daquela gente com tanta pressa e tanto cinza. E a cor berrante de casacos azuis ou pink sobre o que é uniforme. Pra onde e para quem estas cores gritam?

E pra onde vão ou para onde vamos transformando o mundo todo neste imenso mercado?

A última imagem que vi em Moscou, no aeroporto, era de um atleta adulto, louro, despachando seu equipamento de hóquei sobre patins, com o orgulho inerente que atletas têm de seus equipamentos. Para mim ele era o menino que estava no metrô. E havia crescido.