quarta-feira, 23 de março de 2011

Geri em Jeri.



Fotinha de viagem que virou anúncio.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Exagere com Moderação.

Acho que consegui resumir tudo.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Fluir fixo



Acho que o fluir destes balões se fixou na minha cabeça.

Foto, texto e letra: Ahmed Hamdan

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sede

Li logo abaixo, em um texto meu que:

Água não espera: vira sede.

Achei que vale a pena destacar e dizer que:

É ISSO!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Agora eu

Sou redator no sentido mais cru da palavra.

Redijo, gosto do texto, das letras, do conteúdo.

Isso é o que me toca profundamente.

As palavras têm enorme importância na vida das pessoas, pode acreditar. Isso não é um truque de redator.

A palavra não mente, ela diz. A palavra pode até tentar, mas não engana.

A palavra tem palavra.

A palavra cumpre.

A palavra que não cumpre chama-se erro.

O erro tem conserto, mas para consertar tem que ter palavra.

Desde muito cedo a minha atenção está voltada para a construção de conteúdos.

E sei que aprendi visualizando palavras ao longo da palavra tempo.

Claro que descobrir isso demandou uma educação embasada e formalizada, quase 20 anos de experiência profissional e 10 de psicanálise.

Esclarecer e definir não são palavras fáceis de se encontrar.

Quando a palavra se chama competição, ela atende pelo nome de voleibol. E por meio deste nome, aprendi durante anos de treinamento diário os significados das palavras coletivo, liderança e decisão. Aprendi a ser fundamental no momento decisivo, mas aprendi também que sozinho nada acontecia.

Talvez daí tenha vindo a palavra estratégia na minha vida, já que, como levantador, sempre fui o estrategista do jogo.

Algumas das palavras que criei profissionalmente estão traduzidas e registradas em trabalhos que desenvolvi.

Outras estão soltas por aí: foram jogadas ao vento.

E o resultado do que foi semeado é a compreensão do lugar que eu ocupo e do que sou diante da palavra mais importante de todas, nomeada de agora.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Moscou, 2010.

A 1ª imagem que me lembro de ter visto em Moscou foi a de um adolescente no metrô voltando para casa com o seu material de hóquei sobre patins, com todo o orgulho que um atleta tem deste tipo de acessório.

O metrô da cidade é uma cidade submersa com milhões de transeuntes e destinos todos e variados. Só perde em tamanho para o de Tóquio. A língua do metrô, falada e escrita, é o russo. Monolíngue e só.

As pessoas são muitas e de aparência igual: rostos redondos e portes gigantes, olhos grandes e azuis. Louros e magros. Não bonitos. Nem feios. É muita gente num lugar só. É muita gente parecida num lugar só. Tem gente que acha orientais parecidos fisicamente. Eu nunca achei. Agora acho isso dos russos.

Um país só. Uma língua só. A tal cortina de ferro mais os separou do mundo que o mundo deles.

Estações lindas fechadas em art-déco e lustres antigos iluminando, balançando levemente com o vento frio que vem de fora e puxando os poucos olhares que não têm tanta pressa.

E pressa é a lei da cidade que é a São Paulo deles. Sem tirar nem por.

São Paulo em russo, inclusive no nome das estações com aquele alfabeto que para nós não faz o menor sentido.

Depois de algum tempo percebi que o som tem algo de familiar e pode nos ajudar em alguma orientação.

Já na superfície um micro-ônibus no estilo boliviano aguardava passageiros. 333: estava na lista de possibilidades. Lá dentro, só russo. Fala, direção. Um milagre para encontrar um hotel que, na reserva tinha um nome, e na sua fachada, em letras não familiares, parecia um outro lugar.

A música, as pessoas, o motorista, o ônibus velho: faixas de fita crepe no vidro para tapar o sol. Tudo fazia parte da viagem, era o que se buscava.
O medo de não se achar também.
Ver um monumento gigante com um homem de bronze segurando um martelo e uma mulher ao lado segurando a foice. Força, imponência que me atraem os olhos e os fazem brilhar. É a União Soviética velha de Guerra! Autêntica, forte, olímpica, pesada, cinza. Bela e bélica.

Um trânsito absurdo, carros potentes misturados a Ladas que são fuscas. Sem buzinas. Aquilo ali é o que tem para todo dia em uma cidade de 10,5 milhões de habitantes. Fumaça alimentando o amargor que agora tenho na ponta da língua. É, eu tenho um amargor na ponta da língua. Pode até ser que sempre tive, mas hoje ele se manifesta com a presença de fumaça, inclusive a de Moscou, que nao é pouca.

Lenins, estrelas em grandes monumentos apareciam. E estes eram esnobados, no mesmo espaço onde estavam fincados, por feiras, mercados ou qualquer algo que se pareça com estes novos camelódromos presentes em centros urbanos. Vende-se tudo, a alma se vende e é na cara do Lenin, debaixo de seus ombros.

Qualquer porta que se entra sob um grande monumento, o mundo se abre para um grande mercado de comidas, bugigangas, eletrônicos e o diabo a quatro do consumo invadindo todos os sentimentos.

A verdade é que Moscou virou uma grande feira.

A beleza conservada da Praça Vermelha e sua Catedral de Sto. Ignácio está lá para sugar boquiabertos. Um gosto quase duvidoso com efeito paralizante. Os Museus do Kremlin prenden lindas catedrais ortodoxas brancas com cúpulas em forma de gotas douradas, estas de uma beleza inquestionável. E outras delas vão surgindo entre a cidade gigante, de gigantes. E são impressionantemente muitos, o tempo todo.

Eles carregam uma estética estranha aos ocidentais. Parecem que ainda estão uniformizados, mas querem se soltar. Jovens são os primeiros a exigirem calças muito apertadas e/ou caindo como as nossas, cabelos estilosos, tênis universais.
Um quarteirão só com grandes marcas passeia pela cidade. O diabo do consumo veste Prada também em Moscou.
Vi a cidade do alto de uma roda gigante, mas longe do centro. Acho que o mundo Kremlin não gosta muito se ser visto de cima, gosta é de olhar de cima.
Tudo passa depressa. Carros, metrô. pessoas te empurram, te atropelam. Há os que têm intolerância a estrangeiros, a turistas, a este novo mundo que eles vivem nas últimas 2 décadas.

Penso em uma conversa imaginária, sobre a Rússia, entre uma pessoa da época dos czares, uma da época do socialismo e uma do pós-socialismo capitalista. Falando de um mesmo país sobre o que uma época deixou para a outra além de igrejas, palácios e monumentos. O que está implantado no coletivo daquela gente com tanta pressa e tanto cinza. E a cor berrante de casacos azuis ou pink sobre o que é uniforme. Pra onde e para quem estas cores gritam?

E pra onde vão ou para onde vamos transformando o mundo todo neste imenso mercado?

A última imagem que vi em Moscou, no aeroporto, era de um atleta adulto, louro, despachando seu equipamento de hóquei sobre patins, com o orgulho inerente que atletas têm de seus equipamentos. Para mim ele era o menino que estava no metrô. E havia crescido.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Palavra líquida

Fiz para o site de um cliente de moda tentando traduzir em palavras este mundo tão imagético.



Água, fluida, leve.

Úmida, translúcida.

Água deslizando na pele.

Água refletindo luz solar.

Água para aguar.

Vida só há com água.

Água reza dois terços.

No corpo e no planeta.

Água evapora.

Água leva até as nuvens.

Água em seu melhor estado.

Água não tem cor, mas é azul no nosso imaginário.

Água lembra flor, borda a flor, beija a flor.

Pernas e mangas de fora.

Espaço reservado para o desfile do olhar.

Formas desestruturadas umas vezes.

Estruturadas em outras.

Listras, estampas florais, jeans, xadrez.

Nude(z) da alma.

Cintura em movimentos altos e baixos.

Água refresca o verão.

Água não espera: vira sede.

Água inspira a nossa coleção.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Muito

Há dias que o mundo vira muito.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Pai

O futebol, em volume alto na tv, quebrou o delicioso sono-silêncio da tarde de domingo. Era o meu pai, mais uma vez, avisando que o mundo não foi feito só para mim.

Lembrar

Ao me levar ao ponto de ônibus, vi que a minha mãe esqueceu um grampo no cabelo. Guardo estes grampos no console do carro, que ela também esqueceu por lá.

Sei que são para me fazer lembrar.